31 outubro 2011

"Solidão contente"

PS: Recebi este texto por e-mail, não sei se de fato é do autor em questão, mas ele fala de algo que as mulheres fazem muito bem: conviver e viver consigo mesma!

Lendo, fui me vendo, a opção de estar sozinha e de gostar muito de si mesma. E resolvi compartilhar com vocês, espero que gostem.


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"Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão. Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.
Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.
Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.
“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.
Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.
Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.
Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.
A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.
A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.
Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?
A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.
Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.
Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.
Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.
Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.
Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil."

Texto de Ivan Martins - Editor executivo da revista Época

E eu completo: quando ficamos em casa, sozinhas, nos curtindo,  colocamos pensamentos e sentimentos em ordem, nos encontramos e as decisões tomadas nos levam a dar ao mundo que nos rodeia um novo jeito, uma nova cara. E podemos ser, novamente,  as molas de mudança deste mundo que nos cerca.
Dominatrix

30 outubro 2011

Bruxas!!!

A semana se arrasta lentamente, o trabalho é corrido e exaustivo, sempre tem muito a se fazer e pouco tempo pra tanto, não raro paro meu dia antes das 11 da noite.
Amigos, família, passeio, cuidados mais demorados comigo, supermercado, enfim, tudo fica pro final de semana.
Mas se tem algo que preciso fazer nas sextas-feiras pra ser feliz é sair! Tenho que ir pra rua, ver gente, sentar pra conversar, paquerar, ver e ser vista.
E esta sexta não foi diferente, que delícia foi sair depois de um dia exaustivo de trabalho. Eu e alguns poucos amigos em uma balada rodeada de estranhos.
Engraçado, como aquela música fala a verdade: “festa estranha, com gente esquisita...” ele. Foi mais ou menos assim.
Acho que com a proximidade do dia, todas as bruxas estavam na rua.
Vi a bruxa velha: gorda como uma sapa, usando uma roupa de duas décadas atrás, mas se sentindo a verdadeira conquistadora de homens, capaz de dominar todos a seus pés. Muito hilário ver os esforços dela e ver o quão cega ela é para o óbvio – não abafa, nem o vidro do carro em noites chuvosas.
Tinha a bruxa CDF: que faz posse de boa moça, pede isqueiro emprestado com toda a educação, arruma namorado pra amiga carente; mas no fundo, no fundo, só queria era falar mal dos outros, colocar defeito em todos e ainda posar de santa.
Parei e fiquei admirada com o bruxo juvenil: lindo, gato, gostoso, todo sarado, mas com o cérebro de uma ervilha. Acho que se alguém perguntasse a ele onde ficava a Rua Riachuelo ela confundiria com Rio de Janeiro. De boca fechada, mudo, calado, era meu príncipe encantado.
Me admirei com a bruxa esportista: vaca do brejo, isto sim que ela é! Estava de vestinho justo, agarrado ao corpo, desfilando ao lado do maridão, fazendo caras e boas de campeã, mas no banheiro do bar, me deparei com a cena deprimente dela usando “bala” pra agüentar o fim da noite. (Cara, sem tem algo que não suporto é hipocrisia! Se curte “bala”, “doce” ou um tapa no baseado, isto é problema seu, não meu. Afinal odeio e nunca farei isto. Mas ao fazer, assuma numa boa e não venha dizer que é esportista e corre de cara limpa – isto é uma mentira e tanto! Odeio hipocrisia!!!)
Mas o que arrematou a noite, foi a bruxa aborrescente, metida a mulher fatal: estava parada do meu lado, com um grupo de amigos – um muito gato! – bebendo até cair (será que a mãe sabe disto?).
Eu tenho tanto pavor a gente hipócrita, que parece o que não é, que fui brindada com essas duas vacas de presépio em uma única noite: a bruxa esportista (que já comentei acima) e a bruxa aborrescente.
Esse projeto de gente, lá pelas tantas resolveu colocar as garrinhas de fora, e foi sumariamente degolada. Sim, porque você só mexe com uma balzaquiana, se tem capacidade pra isto. Caso contrário, morra!
Lá pelas tantas, o gatinho mais lindo da roda da bruxa aborrescente, resolveu que ia abrir a garrafa de cerveja na alça do balde de gelo e, detalhe, em vez de fazer isto do lado dele, virado pra ele, veio fazer na alça do balde que estava virada pra mim.
Parei a conversa e fiquei olhando o que ele estava fazendo, fiquei admirando a “arte” que sairia dali. Querendo aparecer pro bofe, a bruxa aborrescente virou pra mim e disse: A senhora quer nos ajudar a abrir? Quem sabe a senhora tem mais experiência do que a gente? Sim, a maldita palavrinha ela fez questão de frisar.
Ah, foi mais forte do que eu, não resisti, respondi a altura: eu posso abrir a garrafa de cerveja pra ele. Claro que posso ajudá-lo, desde que eu seja convidada por ele a tomar um gole! (detalhe: eu não bebo!). E não foi isto que aconteceu?
Recusei a cerveja, mas aceitei o gatinho, lindo, gostosinho e sai de lá abraçadinha com ele – parei no ouvido da mocreia aborrescente e sussurrei: homens gostam de mulheres inteligentes e não de mulheres aborrescentes. Volte pra creche.
Foi uma noite deliciosa para a bruxinha fazedora da melhor poção do amor que conheço: EU! hehehehehehe